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Happy & Healthy

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Que me desculpem os patriotas, mas Merkel tem razão

por Happy & Healthy, em 04.11.14

Tornou-se explosivo o comentário de Merkel relativamente ao excesso de licenciados que mora nas digníssimas universidades portuguesas. Muitas foram as reações, sobretudo negativas e exaltadas, sobre tão indecente afirmação. Mais amena, a opinião do blog O Desemprego Deu Nisto conquistou a minha simpatia, mas não posso deixar de manifestar o meu pleno desacordo. É isso mesmo - Merkel tem razão! Mas calma, sosseguem o vosso orgulho português, que passo já a explicar.

           

Portugal está na ruína. E Portugal está na ruína, não por ser o povo pobre e ignorante de outrora, ou por ter fracos recursos, mas sim pela fraca gestão por parte do seu governo e do seu povo desses mesmos recursos. Esta tese tenho-a confirmado consistentemente. Um desses casos são as universidades portuguesas.

      

Ninguém diz que uma pessoa não deve seguir o seu sonho, prosseguir na carreira, tirar um curso superior, se é isso que deseja. E nisso não posso deixar de congratular a elevadíssima qualidade do nosso ensino português, reconhecida no mundo inteiro.

                       

A questão é que ir para a universidade tornou-se uma obrigação social. Muitas pessoas vão para as universidades mais pela vida universitária que pelo curso, vão porque não vêm outras opções válidas, porque não querem trabalhar, e, sobretudo, nos últimos anos, porque o governo oferece cursos. Sim, é verdade. O governo oferece o 3º ciclo, oferece o ensino secundário em meses, oferece entrada para o ensino superior através de concursos paralelos de rigor duvidável, nomeadamente o concurso para maiores de 23, e inclusivamente oferece cursos superiores (já nem falando dos que se tiram ao Domingo). No meio desta oferta, cresceram igualmente o número de cursos disponíveis, completamente desnecessários, para favorecer os números da OCDE e melhorar as receitas à custa dos novos alunos. Ele é curso superior de secretariado, curso superior de gerontologia, curso superior de bibliotecário,... Por este andar, qualquer dia até para ser desempregado haverá uma licenciatura.

            

Sem querer tirar mérito a estas profissões, muito dignas, convenhamos que não será necessário um curso superior para exercer este tipo de funções de caráter mais técnico. Para isso existem os cursos profissionais.

                 

Posto isto, resta-me dizer que tanta formação superior é sim uma má gestão. Os cursos existentes e respetivas vagas devem ser medidos relativamente às necessidades do país. E, para estudantes que realmente queiram prosseguir estudos porque as profissões que desejam exercer exigem um maior aprofundamente teórico dos conteúdos, deveria haver maior disponibilidade proporcional de recursos, para que pessoas com capacidades e motivo justificáveis não ficassem restringidos por razões financeiras.

                    

Para os que não se encaixam nesta categoria, e porque somos todos diferentes, dever-se-ia investir mais em cursos profissionais de qualidade que permitissem criar bons técnicos tão ou mais necessários ao mercado. Porque um curso técnico não é menos nem mais que um superior, é diferente. E todos estes profissionais são necessários.

        

E é nesta falta de visão que Portugal falha enquanto gestor dos seus recursos e Merkel não teve dificuldade em constatá-lo.

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